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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A noite dentro de mim

Doce é a noite que vaga dentro de mim
Ela percorre os cantos da casa, abre e fecha a geladeira
Olha para mim e espera ansiosamente pelo próximo dia
Mas ela não quer que eu vá, 
pois a noite só consegue pensar em minha presença
Quando eu me for, ela não saberá o que fazer, o que dizer
Então a noite fica nervosa, entra em pânico
Mas quando olha pela janela e me vê, ela fica tranquila e suspira
Doce é a noite que pensa no ser amado e sorri. Não.
Ela não sorri, começa a suar, anda de lá pra cá incessantemente.
Para. Liga a Tv. Filme de romance. Desliga. Mais nervosismo.
Vai pra varanda e me sente, e então se debruça no peitoral
Com seus brincos de estrelas e seu pingente de luar.
Ainda sou eu ali. Mas logo não será, e a noite terá que agir em breve.
Dirá "eu te amo"? Não, muito cafona. Ela não quer mostrar que está apaixonada. 
Talvez um simples "oi", mas não um "oi" qualquer,
Um "Oi" com reticências, olho no olho, mexendo no cabelo.
Não. "Muito óbvio", pensou a noite.

Então a noite conversa comigo, pede meus conselhos.
“O que devo dizer?”, mas eu permaneço calado.
Vê que estou quase a partir e começa a lembrar.
Lembrar das vezes que foi romântica e ele só disse "obrigado"
Das vezes que ele não ligou. Das vezes que desviou o olhar.
Quando ela mais precisava daquele olhar.
Lembrou dos dias enaltecidos pela grandeza de seu sentir
E enfraquecido pela insensibilidade daquele que estava lá
Provavelmente pensando em outrem, outrora.
Então a noite estende a mão e grita para mim:
- Não se vá! Fique!
E eu, que sempre dividi bem meu tempo todos os dias,
Eu que sempre acalentei a noite,
Que sempre estive presente, sempre que ela chorava
Sozinha, pedindo carinho e conforto. Parei. 
Olhei para a noite. A noite olhou pra mim.
E então eu disse aquilo que ela sempre se lembrará
Aquilo que somente ela poderia entender
Que nem o maior decifrador de códigos poderia decifrar: 
Eu disse exatamente assim: “          ”
E fui embora, deixando a noite em lágrimas,
Sentada no sofá, agarrada a um travesseiro
Mas com um suave sorriso no rosto.
E até hoje não sei
Se aquelas lágrimas já secaram.
Se ela abriu a boca uma ultima vez,
Pensando em me chamar e desistiu.
Tudo que sei é que eu parti. 
E nunca, jamais, a esqueci.

Um comentário:

  1. Olá colega do grupo "Joy Division Brasil". Foi um prazer conhecer o seu blog e os seus textos. Adorável. Parabéns por este poema. Abraço.

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