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sábado, 6 de outubro de 2012

Valor e perda

Porque que em geral os seres humanos só dão valor àquilo que não têm ou àquilo que perde? Eu estava pensando nisso essa noite...

Passamos o tempo todo desejando alcançar um objetivo ou ficar perto de uma pessoa. Lutamos, sofremos, nos arrependemos, mas a satisfação de quando conseguimos estar do lado de quem amamos, faz todo o lado negativo evaporar! E ficamos naquela faixa de tranquilidade, só curtindo aquele momento bom, e parece que nada mais importa............. até que alguém dê o primeiro tapa.


Tudo se transforma, não de um dia pro outro, mas aos poucos, e é isso que mata: o avanço constante daquela "doença" emocional. Mesmo quando os dois tentam resolver as diferenças, às vezes parece impossível que a compreensão seja uma via de mão-dupla. 






Existem 5 tipos de perfis de relacionamento:

  1. O auto-construtivo
  2. O natural apaixonado
  3. O natural desapaixonado
  4. O de mão única
  5. O auto-destrutivo
1 - O auto-construtivo pode ser o melhor tipo, aquele que por mais que o casal não se entenda, os dois estão de acordo em uma só coisa: se entenderem, e não vão medir esforços para conseguir isso, para serem honestos um com o outro. O relacionamento auto-construtivo está sempre em evolução, e o casal se entende cada vez mais e se ama cada vez mais, conseguindo se renovar a cada dia, o que acaba gerando paixão, de forma natural. Muito dificilmente esse casal vai se separar com o tempo. O problema desse tipo de relacionamento é exatamente a fase pela qual estão passando. Eles podem ser o casal mais perfeito, mas podem estar por um fio de ser um casal auto-destrutivo. Tudo depende da maturidade dos dois.


2 - O natural apaixonado é também muito bom, mas como exemplifiquei no início da postagem, até que alguém dê o primeiro tapa. Porque chamei de natural? Porque são pessoas que se dão bem, não têm muitas questões e/ou pensamentos contraditórios, facilitando a harmonia entre eles. Porque apaixonado? Porque provavelmente um vê no outro a si mesmo, involuntariamente. Ela espera do outro as mesmas atitudes e pensamentos, pois eles teoricamente devem ser exatamente iguais... Até que alguém dê o primeiro tapa e mostre que não é nada daquilo, e assim aparecem as primeiras brigas e um começa a olhar no outro exatamente o que eles têm de diferente. A partir daí o relacionamento pode se transformar em qualquer tipo de relacionamento, ou simplesmente acabar.

3 -O natural desapaixonado não espera nada do outro. Eles não estão apaixonados, apenas concordaram em compartilhar um sentimento e não querem criar problemas um para o outro, e sim ajudar um ao outro no que podem. O único problema é que, se os dois não saem da rotina, o relacionamento pode ficar um tanto quanto monótono.



4 -O relacionamento de mão única é aquele no qual apenas um está ciente da situação, e somente um tenta fazer de tudo para melhorar o relacionamento. Esse é o tipo mais comum, mas dentro dele, existem vários exemplos, onde pode existir a combinação dos seguintes exemplos (seja homem ou mulher): apaixonado, desapaixonado, louco, são, não está nem aí para o relacionamento, maduro, imaturo, inconsequente louco, inconsequente arrependido, bêbado, traidor, mentiroso, covarde, agressivo, amoroso, carinhoso, compreensivo, egocêntrico, egoísta, mau-caráter, cafajeste, aproveitador, mulherengo, indeciso, insensível, amigável, intolerante, ciumento, super ciumento, possessivo, liberal etc. A combinação de duas ou mais características diferentes podem gerar um relacionamento de mão-única, onde um age de uma forma completamente diferente do outro, e quando um não quer, dois não se relacionam. É importante observar que a GIGANTESCA maioria das pessoas sempre acreditam estar em um relacionamento de mão única, onde somente o outro é o culpado, onde somente o outro faz errado etc. Mas mesmo nesse tipo de relacionamento, os dois têm culpa. "Ora, mas porque eu teria culpa se fulano(a) é mentiroso(a)??" Você não tem culpa dele(a) ser mentiroso(a), mas tem culpa de aceitar isso e continuar com o relacionamento, fazendo você sofrer.

4.1 - Eu costumo dizer que em QUALQUER tipo de situação você tem 4 opções de conduta, assim como num jogo de Xadrez, quando seu Rei está em cheque:
    4.1.1: Contra-Ataque: Você pode capturar a peça que está ameaçando seu Rei, correto? Na vida real você não pode (ou não deve) capturar, matar o defeito da outra pessoa (muito menos matar a pessoa, hehe), mas você pode convencê-la a mudar, provando por A + B que aquilo te faz mal.

    4.1.2: Defesa: Quando você não pode capturar a peça ameaçadora, você pode acabar com a ameaça colocando uma peça sua entre seu Rei e a ameaça, dessa forma você ignora a ameaça. Na real, você pode evitar se confrontar com aquilo que te aflige, seja saindo, seja ignorando o fato etc.

    4.1.3: Fuga: Se você não pode capturar nem ignorar, você precisa sair do campo de visão da peça inimiga. Na real, você precisa terminar o relacionamento. Dessa forma você poupa o outro e, principalmente, poupa a si mesmo.

    4.1.4: Desistir: Se você não pode fazer nenhuma dessas 3 coisas, só lhe resta, no jogo de Xadrez, desistir. Xeque-Mate! Nesse caso, você vai ter que ceder, aceitar.


4.2: É muito importante também que você se coloque no lugar do outro e escute o outro, pois da mesma forma que você pode achar que só você faz algo pelo relacionamento, o outro pode achar o mesmo, e os dois podem seguir para dois caminhos: Ou o do relacionamento auto-construtivo, ou do auto-destrutivo:

5 - O relacionamento auto-destrutivo: Esse caso é também muito comum, quando os dois estão totalmente domados pelas rédeas do Ego. Podem se amar, podem ser perdidamente apaixonados um pelo outro, mas estão ainda mais apaixonados pelo próprio Ego. Eu já passei por esse tipo de relacionamento, que poderia ter sido um relacionamento auto-construtivo se tivéssemos um pouco mais de maturidade, mas como éramos muito jovens, colocamos tudo a perder. Nós dois achávamos que estávamos em um relacionamento de mão-única, quando não estávamos, preferíamos mentir um para o outro, causando dor seguida de dor.

5.1 - O mais irônico nesse tipo de relacionamento é que ele pode estar apenas a um passo de um relacionamento auto-construtivo. Só que enquanto o orgulho, o instinto dos dois for maior que o amor, os dois continuarão a sofrer, trocando culpas, julgamentos, possessividade, gritos etc, tentando descobrir quem sofre mais. E como na música do Los Hermanos "E então fica bem se eu sofro um pouquinho mais". Não é maldade, por "incrença que parível", é apenas o desejo egóico de sabar que você está com a razão, e que o outro deve ceder às suas perspectivas. Ó, desejo bobo. O pior é que quando você começa a enxergar a dor que causou ao outro, você se arrepende, deseja voltar no tempo, deseja recomeçar, mas não é mais possível.

Uma vez me contaram uma história mais ou menos assim: 


"Uma vez briguei feio com meu pai por causa de uma coisa que eu disse. Ele não queria mais falar comigo Então um dia ele me pediu pra eu pegar um papel. Fui no meu quarto, achei um papel em branco e entreguei. Aí ele disse: 'Agora amasse o papel'. Eu não entendi, mas fiz, amassei o papel. 'Agora desamasse-o'. Achei estranho, desenrolei ele com as mãos, coloquei em cima da mesa, tentando esticá-lo, mas ele continuava amassado. Peguei um ferro de passar roupas e passei nele. Consegui desamassar bastante, mas ainda dava pra ver que estava amassado. Então olhei para ele e me senti idiota. Ele disse: 'O coração das pessoas é que nem esse papel. Se você amassá-lo, você pode tentar de tudo para desamassar, mas sempre estará um pouco amassado.'. Então ele saiu."

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