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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Mundo ao Redor


Gosto de caminhar: Colocar a mão no bolso, olhando o mundo ao redor, sentindo o peso do meu corpo sob meus pés, sentindo a brisa acariciar o meu rosto. Sem destino, sem origem, apenas por andar. Ver as pessoas na rua, cada um com sua vida e seus problemas. E eu, com meu andar meio torto, vou tentando esquecer os meus, observando os ladrilhos na calçada, escurecidos pelo tempo. O tempo que passa quando menos se espera. E um dia, quando você se dá conta: acorda com mais idade do que acredita e com menos vida do que esperava.


Então eu paro e vejo uma nuvem deslizar nesse mar flutuante e azul chamado céu. Sorrio, tiro a mão do bolso e volto a caminhar, ouvindo o barulho dos carros e seus pneus chiando pelo asfalto.

E chego até a praia: vazia e silenciosa, apenas pelo som das ondas que vão e voltam à beira do mar e molham a areia com sua água gelada. Eu tiro os meus sapatos e coloco o pé na areia. Sinto-o afundar alguns milímetros, imaginando cada grão de areia que o toca, sabendo a importância de cada um deles.
Então ando em direção ao mar e sento nas pedras, sentindo os pingos que me tocam à cada vez que a onda bate contra o rochedo. E chego a perceber o quão insignificante são minhas lágrimas diante daquela imensidão azul que me recebia de braços abertos, sem me julgar, sem me culpar, sem pena de mim.

E quando chega a noite, eu volto pelas ruas. Coloco a mão no bolso, olhando o mundo ao redor e encontro minha alma no caminho de volta para casa.

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